ZAKOUSKA, onde a intimidade se associa à música |Digressão em Portugal

Os Zakouska voaram até à cidade mais alta para dar um concerto intimista. A Guarda estava em silêncio, sendo este quarteto responsável pela sua quebra de uma forma bastante suave.

Os franceses vieram à Guarda para apresentar o seu último trabalho “La criée” editado neste ano. Apresentaram músicas como “La criée”, “Posédonia” e “Trace” revelando grande agilidade e uma coordenação incrível.

O acordeonista sugeriu, no início de cada música, um local, por exemplo, o mar, de forma a “embebedar-nos” ainda mais nesta panóplia de sons harmoniosos que nos foram apresentados. O mar e a sua agitação são o tema central deste último álbum que nos leva numa viagem e nos empurra constantemente entre a tristeza, alegria e a euforia causada pelo ritmo extremamente rápido dos violinos e os toques velozes e precisos do acordeão e da guitarra.

Já metade do concerto tinha decorrido e os membros da banda decidem sair do palco e tocar perto do público, por breves minutos, deixando um certo desconforto na sala. No entanto, este desconforto parece ter aberto a estrada para quem via se sentir mais ativo e desinibido.

A partir deste momento, a banda joga com mais silêncios, isolando apenas um instrumento de cada vez revelando a sua complexidade e a forma pouco ortodoxa de como é tocada. Criaram um clima extremamente propício à imaginação de histórias e relações, fazendo-nos velejar pelas suas músicas como se de um barco se tratasse. Viajámos pelo nosso imaginário, entre França, Roménia, Turquia e Grécia.

Este barco não estaria estável e seguro sem as vozes das fantásticas violinistas que entraram em cena em “La Criée” e em “Winterschnitzel”.

Foi uma longa viagem que terminou com uma técnica popularizada pelo grupo romeno Taraf De Haidouks, onde fazem uso de um fio de cabelo no violino e produzem um som bastante próprio. Chegou-se a bom porto e atracou-se o grande barco a uma das docas gregas marcando assim o final de uma bela viagem.

Podemos afirmar que Zakouska é um quarteto conhecedor das potencialidades dos seus instrumentos e exploram, com mestria e criatividade, as suas capacidades. Ao conseguirem com que estes instrumentos façam perfeito sentido, comprovam, mais uma vez, que a música não tem limites para a imaginação, diversão e criatividade.

Membros:

Aline Haelberg : Violino / Lyra de Creta

Elodie Messmer: Violino

Fabien Bucher : Guitarra

Arthur Bacon : Acordeão