“SEETHE”, o álbum que confirma a qualidade de BLAME ZEUS

Por Sascha Haverstreng

Estamos nas vésperas do lançamento do terceiro álbum de Blame Zeus, e acredito que assim como eu, todos os fãs aguardam ansiosos por este novo trabalho.

Já se vão dois anos desde o lançamento de “ Theory of Perception”, álbum que mostrou na época, a força da banda e a capacidade que tiveram de fazer a diferença no panorama do rock nacional.

Há quase um ano quando cheguei a Portugal, fui apresentado ao trabalho deles. Fiquei impressionado com a qualidade instrumental da banda, bem como a potência da voz da Sandra Oliveira (vocalista e manager da banda), e que tem a capacidade de “variar” entre o leve e o pesado da música, com mestria.

Ao ouvir o novo álbum “ Seethe”, estou em condições de afirmar que estamos na presença de um grande álbum. Quem acompanha o trabalho dos Blame Zeus, pode perceber a evolução musical que tem ocorrido, e em “Seethe” não é diferente: A maturidade musical e a técnica que alcançaram neste trabalho, mais uma vez impressiona-nos.

Músicas bem feitas, algumas mais pesadas, outras nem tanto; mas sempre com um requinte técnico, e composto de um padrão que deixa muito evidente a preocupação da banda em afirmar sua identidade musical. Outro facto que vale a pena destacar é o uso da voz masculina em alguns dos temas do álbum, com a participação especial de Rui Duarte (RAMP), e Marco Resende (The Fuzz Dogz).

Algo inédito que mostra a segurança da banda é a preocupação em trazer elementos novos à música, e toda essa novidade soa muito bem aos ouvidos. “Seethe” é um álbum muito bem executado, com músicas dinâmicas, instrumentos bem tocados, duetos vocais incríveis e todos elementos necessários para representar um dos maiores lançamentos do ano.

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Por Luis Parracho

A curiosidade que tinha neste álbum era muita… depois do lançamento do Teaser a apresentar o lançamento do novo trabalho de Blame Zeus (“SEETHE”), fiquei algo surpreendido pela qualidade da intro apresentada. Cheguei a ponderar e a pensar que o Teaser tinha sido feito com um tema de outra banda qualquer, e com uma apresentação “Hollywoodesca”.

À medida que os dias iam passando, e depois de confirmar que aquele teaser era a intro do tema “NO”, fiquei algo apreensivo, pois normalmente em quase todos os álbuns de outras bandas, o fã “leva” com um grande tema no primeiro vídeo oficial, sendo o restante trabalho, em termos qualitativos, abaixo do inicialmente apresentado.

Recebemos entretanto o álbum em formato digital para fazermos uma primeira escuta… e confesso que a primeira coisa que fiz, foi alterar a ordem dos temas, e colocar na pen que normalmente me acompanha no carro, onde tenho o prazer de estar sempre bem acompanhado, em termos musicais.

Entrei então nesse mesmo dia no carro, coloquei a pen com o novo trabalho de Blame Zeus (“SEETHE”), totalmente desordenado, e comecei a ouvir… Comecei logo por subir o volume, e de que maneira, pois o meu primeiro amor neste álbum, foi as intros das músicas que constituem este trabalho. Todas estão enquadradas com o tema que irá ser abordado ao longo da música. Depois deparo-me com uma voz feminina diferente. Uma voz de rock algo “jazzística”, onde conseguimos ouvir a melodia do tema com variações e “longos passeios” por aquelas notas que normalmente os músicos gostam de encaixar nos temas… as famosas quintas e sétimas…porque de oitavas já estamos um pouco saturados. A Sandra Oliveira usa então a sua capacidade vocal, para colocar a cereja no topo do bolo, quando mostra que para além de ser uma simples vocalista de metal, é um músico como os restantes elementos, criando neste álbum um cunho muito pessoal, e que irá distingui-la do restante mercado nacional do rock/metal.

Ao ouvir os temas e da maneira como eles se desenvolviam à medida que os minutos iam passando, verifico a enorme preocupação que houve da parte da banda, em não construir um simples tema em que se ouve um cantado, um refrão, cantado e repetição do refrão 2 ou 3 vezes… as novas músicas dos Blame Zeus são autênticas composições musicais que mostram um grau de complexidade algo anormal, no panorama musical nacional.

Tudo isto e muito mais se pode ouvir e apreciar, porque a banda é composta por músicos de eleição, em que se nota na musicalidade dos temas, gostos distintos. As guitarras apresentam em todos os temas riffs orelhudos, o baixo passeia a sua mestria e lança sobre as músicas o caminho que deve ser seguido, e a bateria assume um papel de timoneiro na banda.

Eu, pessoalmente, e apesar de ter já sido criticado pela forma como exponho a minha opinião final acerca deste trabalho, estou em condições de assumir que este é o melhor álbum nacional do ano, no que concerne ao panorama do Rock/Metal. Poderia apenas afirmar que era um dos melhores do ano… mas assumo que para mim é o melhor! Por todas as razões anteriores, e por todas aquelas que não consigo transmitir de forma perfeita a todos os leitores, este trabalho trouxe-me sensações, pensamentos, e sentimentos que só é possível quando eu ouço um grande trabalho.

Afirmo ainda que este álbum, e esta banda portuense é digna de estar presente nos melhores palcos europeus, onde o metal é rei. Iriam certamente levar além fronteiras, e mostrar ao público do resto do mundo, que o Metal em Portugal tem muita qualidade.

E lá estaremos para confirmar tudo isto, esperando que a banda consiga transmitir para o palco, a qualidade que o álbum nos trás, na sua apresentação que irá decorrer no Hard Club (Porto), dia 9 de Novembro.

As bandas convidadas para esta apresentação são SUGIRO e SECRET CHORD.