Lee Payne – Entrevista após concerto dos Cloven Hoof no Festival Milagre Metaleiro

Lee Payne

O Festival Milagre Metaleiro (Viseu) reuniu no verão, bandas tão importantes, que embora não cobrassem os bilhetes de entrada, a experiência valia qualquer investimento.

Fomos entrevistar o baixista e fundador dos Cloven Hoof, Lee Payne e tivemos em contacto com um músico super determinado e ganda simpático e que ficou surpreendido por ter sido a banda votada como a melhor no festival.

Entrevista concedido à Verônica Mourão Guitar Scream

1-A banda nasceu no berço fértil do Metal: O Reino Unido, com o legado de ser um dos representantes autênticos do NWOBHM. Quais foram as oportunidades e dificuldades para a banda seguir o mercado de música metal quando vocês começaram? O nome da banda realmente tem um significado “diabólico”?
 
Começamos em… 1979. Isso faz muito tempo. Muita água correu debaixo da ponte desde então, mas ainda me lembro. Foi um momento fantástico para crescer na Inglaterra, em um momento muito emocionante na história do Metal. Jovens adoradores de Metal realmente dominavam as ruas naquela época e exércitos de jeans e couro estavam por toda parte. Todo mundo ia a qualquer lugar para ver uma banda de metal ao vivo e com a mídia musical britânica apoiando, foi um momento inspirador. Geoff Barton, que mais tarde lançou a revista Kerrang, era o escritor mais importante da época. Ele trabalhou para um jornal de música chamado Sounds e todos os garotos do Metal o compraram. Mesmo antes de termos um cantor, enviei uma fita (cassete) para ele perguntando o que ele pensava da música. Ele adorou o som novato de Cloven Hoof e, quando finalmente conseguimos um cantor, eu fui a Londres e fui entrevistado por ele. Foi muito prestigiado e conseguimos respeito desde o primeiro dia, graças a Geoff. Ele nos deu uma oportunidade para o sucesso em seu artigo ‘Break through in 82 ‘, junto com Motley Crew e Venom.
Somos uma banda de West Midlands, no coração da Inglaterra, e há um som pesado inerente ao nosso estilo: Judas Priest, Black Sabbath, Led Zeppelin surgiram do mesmo berço que Cloven Hoof e todos temos uma característica sombria que é inconfundível. É verdade, essa banda não poderia ter vindo de nenhum outro lugar. Talvez a vida seja difícil no coração de concreto e vidro (da indústria musical). Bandas desse gênero parecem gostar de cantar sobre as coisas duras e deprimentes da vida. No entanto, gosto mais de mundos de fantasia, do que da dura realidade. Isso talvez seja uma fuga. JRR Tolkien viveu em Birmingham quando jovem, então estamos em boa companhia. Fui influenciado por bandas como Black Sabbath, Deep Purple, Led Zeppelin, Thin Lizzy e Rush. Eu costumava gastar cada centavo que tinha comprando álbuns e assistindo a shows ao vivo. Olhando para trás, suponho que isso estava servindo de um aprendizado musical.  
O nome da banda, “Cloven Hoof” é a blasfêmia suprema, adoradores dos pés do diabo, mas eu amei esse nome no momento em que pensei nisso, ele se presta perfeitamente ao misticismo condenado dos riffs que eu invoco. Contudo, fui ingênuo o suficiente de pensar que toda a coisa da magia negra era besteira … logo tivemos que deixar isso do ocultismo de fora porque é mexer em algo que não pode ser explicado.
 O nome também tem 3 sílabas que os fãs podem cantar. CLO – VEN – HOOF! Sinto-me muito orgulhoso e privilegiado por poder ouvi-los cantando por nós antes de um show. Não há nenhum sentimento na terra como esse!

2- Vocês tiveram uma pausa por cerca de 10 anos da banda. Por quê isso aconteceu?
 
Foi após o lançamento do Dominator em 1988, quando tivemos um período de inércia. Foi nessa época que houve um grande burburinho em torno de Cloven Hoof. Eu estava convencido de que esse era o momento que nos levaria a um verdadeiro acordo inovador para nos colocar ao lado dos ” fodões” do metal da época. O ex-empresário do Judas Priest, David Hemmings, se aproximou de nós e queria nos “empresariar” nessa altura. Dave conseguiu nos colocar num contrato que iria mudar nossas vidas com os discos na CBS, mas durante as negociações ele morreu tragicamente no meio de um acordo . Isso causou muitos problemas legais para nós, porque muitas pessoas que farejam o dinheiro que iamos ganhar, saíram fora e alegaram que tinham uma parte nos ganhos da banda com base nas negociações de David. Foi um pesadelo, mas felizmente estamos livres desses laços agora, Graças a Deus.

3- E o que fez você apostar em uma nova oportunidade após esse período? A faixa Highlander (A Sultan’s Ransom) foi o grande recomeço?
 

O Heavy Metal é algo que queima dentro de mim, então não era uma questão de ter um incentivo para reformular o Cloven Hoof; Era apenas uma questão de tempo para resolver as dificuldades contratuais e encontrar os membros certos para fazer as músicas da minha cabeça. No verão de 2001, após um longo trabalho árduo, pude começar a montar uma nova formação para a próxima encarnação do Cloven Hoof.
Concluímos uma apresentação ao vivo no Festival Keep It True II no Tauberfrankenhalle em Lauda-Königshofen, Alemanha, em 10 de abril de 2004.
Desde 2001, o Cloven Hoof percorreu um longo caminho, ele nunca ficou parado, e eu acho que é isso que nos mantém vivos e ainda relevantes 40 anos depois de começarmos. Todas as músicas têm que ser importantes. Eu não quero colocar músicas nas quais não estou feliz, acho que a fórmula continua a funcionar, pois acredito que o “Mourning Star” é o melhor álbum que lançamos até hoje e estou convencido de que nosso novo álbum “Age of Steel” chegará ao topo

4- Gosto muito do Reach for the Sky. Eu acho que a banda tem muitas músicas emocionantes. Mas há alguma instabilidade que fez de você o único membro original. Pode contar-nos sobre isso?

Foi um incômodo encontrar as pessoas certas, com talento e compromisso para combinar e então mudar os membros. Não foi fácil para a banda e recebemos muitas críticas, por isso ao longo dos anos, e isso muitas vezes está fora de controle. Chris (Chris Coss) está conosco desde 2011, portanto, ele deu alguma estabilidade nos últimos 8 anos. Para ser justo, não há muitas bandas que estão no mercado há 40 anos que ainda têm todos os membros originais, mas eu aceito que atingimos nossa cota de mudanças.

5 -Existe alguma dificuldade em conseguir bons vocalistas ou outros músicos adequados à proposta da banda? Eu acho que você acertou agora! George Call é fenomenal para a banda.

Depois de todas as provações e tribulações que você tem que passar em uma banda com 40 anos de história, você precisa realmente amar o que está fazendo. É verdade que eu gosto de estar no Cloven Hoof hoje mais do que nunca. Eu realmente aprecio os fãs que aderem a nós todos esses anos e nosso público está ficando mais jovem a cada dia. Agora somos maiores do que nunca, então a Cloven Hoof deve estar fazendo algo certo!
A parte mais difícil de fazer parte de uma banda é conseguir os músicos certos, porque a química deve ser perfeita. Todo mundo tem que ser um ótimo músico porque as músicas são difíceis de tocar, mas você precisa de todas as outras qualidades também. Uma banda precisa ter músicos dedicados que se entendam como uma família. Às vezes parece que você é gladiador entrando na arena e é o seu pequeno grupo de pessoas contra o mundo. Quando você sobe ao palco, todos estão do mesmo lado unidos na irmandade do metal, e o sentimento pode ser uma experiência mágica.

Eu concordo com você que nós acertamos agora, é a melhor formação que Cloven Hoof já vi e George é realmente um cantor fenomenal com a voz perfeita para intregar a música de Cloven Hoof, e é a voz que eu já tinha em mente. desde que comecei a escrever e estou super feliz por tê-lo encontrado.

5-Como a “Who mourns for the morning star” tour, tem sido recebida pelos fãs?

Nós sempre tivemos o sonho de tocar na América desde quando Cloven Hoof começou a ganhar interesse no início dos anos 80. Ver bandas como Judas Priest nos Estados Unidos obtendo um sucesso real apenas nos fez querer mais, e houveram várias ocasiões em que estávamos perto de chegar lá, mas sempre faltava uma parte para que tudo acontecesse. Seja gravações, horários, disputas contratuais, política da banda ou em algumas vezes boa ou má sorte! Mas finalmente conseguimos e por isso serei eternamente grato. Era um sonho absoluto estar lá, então estávamos determinados a fazer quantas noites pudéssemos no tempo que tínhamos por lá, era uma programação cansativa, fizemos tudo que os fãs podiam ver. estávamos realmente dando tudo de nós e apreciado isso, então fomos capazes de alimentar essa energia um pouco mais, e foi um enorme sucesso! O feedback que recebemos e ainda estamos recebendo é super positivo. Houve muitos destaques, mas coisas uma delas que devo mencionar é o Whiskey a Go Go em Hollywood.

É o lugar nos EUA que eu sempre quis tocar e não nos decepcionou. Ver a história e as lembranças de todos os grandes que tocaram naquele palco antes de nós foi uma verdadeira honra. E também sair deixando nossa marca naquelas paredes.

6- Uma das coisas que realmente chama a atenção no palco é sua energia e profissionalismo. Mas também notamos o jovem Luke Hatton, que parece ser uma promessa futura de bons guitarristas de metal. O que você pode nos dizer sobre essa fusão de veteranos e jovens músicos nesta turnê de 2019?
 
Orgulhamo-nos de nossas apresentações ao vivo e fazemos um grande esforço para garantir que os fãs tenham um bom show, acreditamos firmemente que, ao fazer isso, mostrando nosso compromisso com eles, recuperamos 10x mais a atenção dos fãs.Da mesma forma, com o profissionalismo que mostramos e respeito, os fãs pagaram os ingressos para nos ver e, por ser profissional, isso significa que estamos bem preparados ensaiando semanas difíceis antes de um show para garantir que somos o melhor no que fazemos, não bebendo antes de um show, pois estamos trabalhando e também conhecendo os fãs, tirando essa foto, assinando aquele álbum, seja o que for … é a noite deles.
 
Luke é realmente um ótimo guitarrista e nos serviu brilhantemente na época em que esteve conosco, mas agora mudou. Nosso novo guitarrista é Ash Baker, que é um músico fenomenal e tem energia no palco com enormes vocais de fundo para combinar, se você puder nos pegar ao vivo para ver esse cara se apresentar, se prepare para ficar impressionada.

A fusão de jovens e veteranos funciona incrivelmente, tão bem que nem percebemos, a banda trabalha com uma camaradagem no palco que é tangível na multidão, a credibilidade não pode ser falsificada. É totalmente visivel.

7 – O que falta para bons shows como o Cloven Hoof chegarem a outras partes do mundo como o Brasil?
 
Trata-se de obter o comprometimento de promotores e locais para organizar e financiar os shows, para que uma banda como o Cloven Hoof venha ao Brasil precisaria de tempo e dinheiro para torná-lo sustentável. Para nós, não se trata de dinheiro, pois não há nada que gostemos mais do que levar nosso show ao vivo para fãs que normalmente não teriam a oportunidade de vê-lo, no entanto, para a cena underground de música ao vivo do Heavy Metal sobreviver, as pessoas que fazem essas coisas rolarem, geralmente doam seu tempo de graça por amor a elas, mas não podem sobreviver se perderem dinheiro. Dito isso, estamos trabalhando duro para que isso aconteça, há uma forte vontade de nos levar para o Brasil e a América do Sul, estamos confiantes de que conseguiremos chegar lá em 2020.

8- Quais são os projetos para o futuro da banda?
 
Antes do final do ano, veremos o lançamento do nosso novo álbum “Age of Steel”. Pessoalmente, sinto que é o nosso melhor lançamento de todos os tempos, é realmente um “Tour de force”, com todas as músicas e vamos “detonar geral”! O álbum apresenta o retorno do personagem Dominator, que foi geneticamente trazido de volta à vida para causar morte e destruição em toda a galáxia. Seu império é restaurado à sua antiga glória e a história terminará no álbum depois disso, então acompanhe este site para ver seu lançamento! Um álbum conceitual está de volta!

9- Que mensagem você pode deixar para os fãs do Brasil e de Portugal?
 
Tocamos nosso primeiro show em Portugal no neste ano e foi fantástico! Os fãs em Portugal são brilhantes e fomos eleitos a melhor banda do festival, apesar de não termos sido a banda cabeça de cartaz, mas nos orgulhamos e voltaremos! Estamos trabalhando duro para chegar ao Brasil, então acompanhe a Roadie Metal e garanto que você mostrará o quão loucos os fãs de metal do Brasil podem ser!
 
Preparem-se para o nosso melhor álbum , ele te deixará de queixo caído!