|EXCLUSIVO| Entrevista à banda The PictureBooks…um rock a dois!

Estivemos à conversa com Fynn Claus Grabke, o vocalista e guitarrista da banda Alemã THE PICTUREBOOKS, e que acabam de lançar um novo trabalho, intitulado “The Hands of time”.

Tentámos conhecer melhor a banda, a sua sonoridade, e apresentar a mesma ao público português, o que considerámos ser uma das poucas bandas internacionais e ainda desconhecida em território luso, a fazer o puro Rock, com qualidade premium.

A entrevista…

GS – Antes de tudo, quero dizer que é um grande prazer para mim estar à conversa com vocês. 5 álbuns depois, o vosso som chega à GS e chega a Portugal … quem são os Picturebooks e como se definem como banda?

Fynn: para nós, “Imaginary Horse” é o nosso álbum de estreia. Nós tínhamos o nome da banda antes e lançamos dois álbuns, mas para nós, era uma banda diferente. Não era uma banda má e estamos muito orgulhosos do que fizemos naquela época. Quer dizer, eu tinha 17 anos naquela época, mas as coisas mudaram e para nós, “The Hands Of Time” é o nosso terceiro álbum.
Somos os melhores amigos que patinam e constroem motas, e que decidiram um dia expressar o que estava a acontecer nos nossos corações com a música. Nós nunca aprendemos a tocar um instrumento. Eu não consigo tocar um acorde até hoje. A nossa música é natural. Os The Picturebooks são mais do que apenas música. São os vídeos, as fotos, as coisas que postamos nas nossas redes sociais … tudo isso anda de mãos dadas e é maravilhoso ver as pessoas sendo “fisgadas” por aquilo que partilhamos e a compartilhar o amor.

GS – Vocês falam constantemente na “estética do vosso som”, “no vosso som característico” … de que tipo de som estamos a falar?

Fynn: bem, eu acho que não importa o que fazemos pois sempre soará, e se parecerá connosco. É louco. Neste álbum vocês vão ouvir novos instrumentos como um piano, um bandolim, sinos tubulares e muito mais, mas ainda soa 100% como nós. Nós sempre quisemos isso. Para ter um som nosso.

GS – No passado vocês separaram-se e passaram por outras experiências … nesta fase o que é que vocês fizeram? Não gostaram do que estavam a fazer?

Fynn: bem, nós paramos de ouvir música por cerca de 2 anos e fizemos coisas como perder-nos no deserto ou construir motas que usámos para andar por todo lado. Foi muito refrescante não pensar em escrever uma nova música todos os dias ou sobre música em geral. A arte é livre e só pode viver num ambiente onde não há medo e outros bloqueios que nós possamos ter. Nós aprendemos isso e a música voltou à nossa vida naturalmente. Sem regras. Ir com a corrente. Foi incrível. Nós ainda trabalhamos assim e achamos que essa é a maneira mais honesta de realizar arte. Nós não inventamos nada. Nós somos o que representamos 100%.

GS – Eu li que vocês são amantes das duas rodas, especialmente Harley … as motos são uma inspiração para a música que vocês fazem?

Fynn: Isso aí. Nós amamos as motas e a Harley e elas inspiram-nos muito. Pegamos na mota para libertar a nossa mente, voltamos para o estúdio e garanto que tocaremos uma ótima música. Não pode dar errado. Ter uma empresa como a Harley Davidson nas nossas costas significa muito para nós. Quando eles um dia nos ligaram e nos ofereceram algumas Harleys novas, para as transformar-mos nalguns velhos exemplares e modelos que um dia eles tiveram, foi um dos melhores dias de nossas vidas e significa muito para nós.

GS – Quem são as vossas principais influências musicais? O que ouvem em casa e no carro?

Fynn: nós literalmente ouvimos quase tudo… Black Flag, Minor Threat, Refused to Fiona Apple, Feist to ODB, Busta Rhymes, Beasty Boys, Rihanna, Zola Jesus, Lorde, Katy Perry, Christina Aguilera, Willie Nelson, Brothers Osbourne, Margo Price, Velvet Underground, Stooges … esta lista nunca mais iria acabar. No carro, porém, ouvimos principalmente música country. Apenas nos sentimos bem a conduzir por essas estradas intermináveis ​​a ouvir essa merda.

GS – Eu sei que vocês gostam de gravar na vossa garagem … quais são as grandes diferenças entre vossa garagem e os estúdios tradicionais onde trabalham?

Fynn: A garagem é super espaçosa e tem um reverb único que pode ser incrível, mas também difícil, porque algumas coisas podem soar de forma perfeita, e outras nem por isso.

Para “Imaginary Horse” e “Home Is a Heartache”, nós só gravamos na garagem com apenas 2 microfones a 3 a 5 metros de distância da ação. Para “The Hands Of Time” nós tivemos que quebrar as regras um pouco, porque quase nos sentimos enjaulados nas nossas próprias regras, que criámos para proteger nosso som, mas aprendemos que não era a garagem que definia nosso som… somos nós. Essa liberdade é o que a arte precisa, para fazer o que for preciso para chegar onde você quer estar e para saber onde você não quer estar. Então nós usámos o estúdio muito mais desta vez. Nós usámos o estúdio como se fosse um novo instrumento.

GS – Vocês são apenas dois elementos na banda … como conseguem um som tão completo?

Fynn: menos é mais. Muitas pessoas esquecem-se disso. O Rock’n’Roll não é definido por quantas guitarras foram gravadas numa música, é uma questão de o que elas estão a tocar e como elas soam.

Ouçam “We Will Rock You”, do Queen. Não há guitarra até o solo entrar. Eu acho que é uma loucura porque quando eu penso nessa música eu penso nessa música enorme onde há tanta coisa a acontecer, mas é principalmente bateria e voz. Os artistas estão muitas vezes são “apegados” numa produção de uma música que foi má desde o seu início, e ao invés de admitirem isso para eles mesmos, eles continuam a gravar mais guitarras e dobrando as vozes, colocando sintetizadores em cima delas, para tentarem resgatar uma música de merda… No final, vocês só têm uma grande pilha de coisas que não vai a lugar nenhum. Uma boa música geralmente não precisa de quase nada. “Bop bopa-a-lu um whop bam boo …” tutti-frutti prova isso.

GS – Chrissie Hynde dos The Pretenders gravou um tema … com essa participação de um elemento externo para a banda, o que vocês acham que foi adicionado ao vosso novo trabalho ”The Hands of Time”?

Fynn: Chrissie é um dos nossos ídolos e tê-la neste álbum significa o mundo para nós. Ainda me lembro quando vivíamos em casa de um nosso amigo, em Santa Monica. Compramos um dos melhores álbuns do The Pretenders e ouvíamos o dia todo. Tornou-se nosso mel.

Passados alguns anos, quando nos ofereceram a possibilidade de participar no evento da Harley Davidson em St Tropez, onde os The Pretenders iriam se apresentar, imediatamente dissemos que sim.

Chegamos ao festival onde o palco ficava na praia e começamos a preparar-nos para fazermos som. Eu lembro-me de tocar “your kisses burn like fire” quando eu olhei para cima e vi Chrissie em pé, na frente do palco no meio da praia ouvindo-nos. Ela veio ter connosco e depois disse o quanto ela adorava a música. Nós saímos durante o resto do dia com ela, e percebemos que temos muitas coisas em comum, como ser Vegan e coisas assim.

Nós partilhámos contactos e queríamos manter esse mesmo contacto. Algumas semanas depois, estávamos a conversar sobre a possibilidade de fazer uma música com uma participação especial.

Nós estávamos conversar sobre quem convidar e eu disse o nome da Chrissie. Primeiro rimos, e pensámos ser quase impossível, mas depois decidimos criar uma letra para ela e ver a reacção dela.

Ela respondeu passados 2 minutos “Contem comigo!” O problema era que nós nem tínhamos uma música. Então, passamos os dois dias e noites seguintes escrevendo e gravando “You Can’t let Go” , e enviamos para ela. Ela adorou e uma semana depois a música estava finalizada. Sentimo-nos muito honrados e orgulhosos por tê-la neste álbum.

GS – Quais são os sentimentos e emoções que podemos encontrar neste novo álbum?

Fynn: este álbum é sobre honestidade e aceitar a vida do jeito que ela é. É sobre encarar a verdade, não importa o que, para se tornar livre e feliz. É sobre viver no agora, no presente. Cada música canta sobre isso e é tocada dessa maneira, de forma HONESTA!

GS- Onde procuraram inspiração para escrever os temas deste novo trabalho?

Fynn: em nós mesmos. Está tudo em nós. Em todos nós. Tentamos encontrar o que estamos procurando, se é felicidade, sorte, perdão … no final do dia, você só encontrará isso em si mesmo. E é daí que vem a inspiração para este álbum. Motivação ou inspiração não crescem em árvores. Vocês têm que forçá-la e aproveitá-la todos os dias.

GS – Consideram o vosso novo trabalho como uma óptima banda sonora para percorrer o mundo numa Harley Davidson?

Fynn: Certo! Ou no carro, na escola ou numa festa … onde quer que vocês estejam comemorando a felicidade ou a honestidade… com algum rock pesado de blues.

GS – E para quando um concerto em Portugal?

Fynn: O mais rápido possível !!! Por favor! Nós amamos tanto Portugal !!!