VAGOS METAL FEST, o cartaz que gera amores e ódios nas redes sociais…

À imagem dos anos anteriores, assistimos diariamente a “discussões” acerca das bandas que vão sendo apresentadas pela organização deste evento. As opiniões divergem entre o “eu não gosto”, “já vi melhor”, “o WOA é que é”, “fica mais barato ir ao Hellfest” “existem outras bandas melhores”, e a “melhor banda para o festival é os xpto”.

Consideramos que todas as opiniões são válidas, visto que a liberdade de opinião e de escolhas são fruto de uma sociedade livre, no entanto cada vez mais exposta à critica alheia, através das redes sociais.

Organizar um festival como o VMF é fácil…MITO OU REALIDADE?

Após termos feito algumas abordagens ao mundo empresarial e organizativo mais profissional dos concertos e festivais, principalmente a empresas internacionais ligadas à promoção e agendamento de bandas, concluímos que não é nada fácil trazer as bandas que gostamos e queremos, mesmo havendo os fundos financeiros disponíveis para tal.

Quem não gostaria de ver no VMF bandas como Rammstein? Todos gostariam, mas passamos a explicar o porquê de não ser possível…

Existem uma série de estratégias comerciais e de marketing muito bem estudadas e aplicadas ao crescimento de algumas bandas internacionais. O Rock e o Metal não é diferente do Hip Hop, nem do Pop, e o crescimento das bandas faz-se por uma rigorosa selecção dos festivais e salas. Os festivais mais deslocados das grandes capitais europeias, como é o caso do VMF, tem apenas duas soluções para conseguir chegar aquelas bandas que todos nós gostaríamos de assistir, que é o crescimento sustentável que todos os anos tem de salvaguardar, e conseguir ser a aposta de patrocínios de peso.

Todos os grandes festivais e eventos em Portugal estão associados a um conjunto de patrocínios que geram capacidade de negociação com o mundo da música. E todos os grandes festivais em Portugal estão localizados na zona da grande Lisboa, aparecendo um Paredes de Coura, e um Vilar de Mouros como outsiders…

Temos ainda de nos convencer que o mundo do Rock/Metal já não é o mesmo de à 20 anos atrás. As grandes bandas internacionais, e que arrastam milhares de fãs atrás de si, já não tocam por “tusta e meia”, nem sequer por amor aos fãs…ou há dinheiro e um espaço digno, ou não há música…

E claro está, a parte financeira é sempre uma componente limitativa para a aquisição daquilo que os fãs gostariam de ter no seu festival favorito. Sabemos que a organização do VMF e de outros bons eventos de metal em Portugal não são abastados em termos financeiros, tendo de elaborar a sua própria estratégia de marketing para ir conseguindo adquirir os fundos necessários, para conseguir finalizar contratos atempadamente, para que o evento fique fechado o mais rapidamente possível, e que vá de encontro às expectativas dos fãs.

O crescimento de um festival como o VMF, também está diretamente associada ao apoio que as entidades locais possam dar ao evento. A Câmara Municipal de Vagos tem desenvolvido esforços para melhorar o recinto. O crescimento natural e sustentável do VMF, está diretamente relacionado com o apoio e iniciativas das entidades locais, com o objectivo de criar o melhor espaço e infraestruturas possíveis.

Quando olhamos para a Quinta do Ega, local onde se realiza o VMF, estamos na presença de um recinto que em termos legais, um concerto nunca poderá ter muito mais que 8 a 10.000 fãs a assistir. São questões relacionadas com a segurança do público que faz com que este espaço ainda não esteja devidamente configurado para levar tantas pessoas, como o caso de um simples pavilhão, como o Altice Arena, que tem como limite 15.000 pessoas.

Este facto é também limitativo para que bandas como a anteriormente enunciada (Rammstein), possam para já actuar neste recinto…acreditamos que a médio prazo esta meca do metal esteja preparada para eventos maiores.

Concluímos que ORGANIZAR não é fácil, e organizar fora dos grandes centros urbanos é ainda mais difícil.

E quais são as bandas já apresentadas?

Destacamos em primeiro lugar algumas das bandas nacionais, e onde teremos uma enorme surpresa e novidade neste tipo de eventos. A banda GODIVA irá actuar acompanhada por uma orquestra. Será um desafio quer para a banda, quer para a organização do festival, que irá ser desafiada a preparar o palco e o som, para que tudo saia perfeito.

A banda PROCESS OF GUILT irá trazer o seu Doom, sendo uma banda portuguesa que já partilhou palcos com bandas como Cult of Luna, Godflesh, Napalm Death, entre outras.

Temos ainda duas bandas que nacionais, que conforme costumamos confidenciar, são o “poder do senhor” em cima do palco, trazendo aos fãs do metal a “jarda” de som que todos gostam e anseiam ouvir num festival de metal. Estas bandas são os EQUALEFT liderada pelo “Rei dos Húngaros” Miguel Inglês, e que se preparam para lançar o seu novo álbum em Fevereiro de 2019, intitulado por “WE DEFY”. E os INFRAKTOR com um thrash poderoso, bem executado e liderado por um dos melhores interpretes de microfone na mão, Hugo Silva.

Estas e outras bandas nacionais já apresentadas, notámos que foram escolhidas com base no melhor que se vai e foi fazendo durante o ano de 2018.

Falando agora daquilo que gera sempre polémica, e que são as bandas internacionais, neste momento o cartaz começa a apresentar-se bastante interessante, no nosso ponto de vista.

STRATOVARIUS é uma banda finlandesa formada em 1984, e afastada dos palcos portugueses à muitos anos, no entanto são uma das maiores bandas de powermetal do mundo, arrastando atrás de si milhares de fãs. Com músicos virtuosos, esta banda apresenta-se em Vagos para trazer o melhor do que se faz na música mundial, e trazer ao recinto a velha geração de metaleiros.

NAPALM DEATH é das melhores apostas que o VMF já alguma fez. A banda inglesa formada em 1981 é considerada uma das pioneiras do grindcore e death metal mundial. A banda irá apresentar em palco 37 anos de música extrema. Estamos na presença de mais uma banda que pertence à história de música mundial.

E se há coisa que os fãs do metal gostam, é de fazer pó, e para isso à imagem do que se passou na última edição com a actuação dos MUNICIPAL WASTE, este ano a organização voltou a trazer Tony Foresta, mas desta vez com a sua banda IRON REAGAN. Com os Iron Reagan se há coisa que não vai faltar é as verdadeiras “danças” metaleiras que um bom festival de metal deve ter.

E este ano o VMF traz a Portugal mais uma banda pioneira de um estilo de metal. CANDLEMASS é uma banda sueca, formada na década de 80, responsável pelo aparecimento do DOOM METAL nos palcos dos concertos mais alternativos.

Destacamos ainda a banda ucraniana, JINJER liderada pela vocalista Tatiana Shmailyuk e que traz ao VMF uma banda bastante versátil, onde os seus temas passam por diferentes estilos musicais como o Death Metal, Rock Progressivo e o Nu-Metal.

Podemos então concluir que o VMF nunca será um festival de massas, pelos vários aspectos anteriormente enunciados e outros não mencionados, mas sim um festival onde o conceito de família e espírito metaleiro irá continuar a ser a sua principal arma. Quem não se lembra do velhinho Vilar de Mouros nos anos de 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, onde bandas como Iron Maiden, Megadeth, Rammstein, Katatonia, Sepultura, NightWish entre outras, actuaram e criaram um espírito que hoje categoriza o Vilar de Mouros como um dos principais festivais de verão deste país. Na altura as bandas anteriores já eram “grandes”, mas a acessibilidade às mesmas era mais fácil.

Entretanto aguardamos com curiosidade quais os Headliners que a organização irá trazer à quinta mais famosa de Portugal…a Quinta do Ega (Vagos).