VAGOS METAL FEST… a casa do metaleiro (Reportagem completa dos 4 dias)

A edição deste ano do VAGOS METAL FEST, realizado na Quinta do Ega, na solarenga vila de Vagos foi mais uma vez um sucesso, onde se fez notar o crescimento das vendas online dos ingressos, e em que 15% foram adquiridos por metaleiros estrangeiros, segundo dados da organização.

O festival decorreu nos dias 9, 10, 11 e 12 de Agosto, e foram 4 longos dias, de muito metal, e muito convívio entre os fãs e os habitantes da vila.

A origem e o orgulho…

Olhamos para este festival com especial carinho, e de coração apertado. Foi um longo caminho ver Vagos tornar-se na capital do metal, em Portugal. O Metal nasce em Vagos, no ano de 2003, com a realização do Festival VagosFm…Na criação deste movimento mais alternativo estavam Luís Parracho, Hélder Martins, e Paulo Perdiz. Foi um caminho duro, com muitos obstáculos, e uma luta constante contra as mentalidades mais conservadoras dos meios pequenos. No entanto, esta organização inicial foi sempre apoiada pela Câmara Municipal de Vagos, mantendo-se o municipio ainda nos dias de hoje, a lutar por este evento. E desde à uns anos para cá, Vagos tornou-se no lugar onde uma vez por ano, toda a família do metal se encontra. É de coração cheio que vemos passar na pequena vila de Vagos os maiores nomes do metal nacional e internacional.

A Conferência de imprensa de boas vindas ao VAGOS METAL FEST 2018…

Era cerca de 12h do dia 9 de Agosto, quando toda a imprensa foi recebida por Luís Salgado, e foi dadas as boas vindas à edição de 2018, deste festival. Foi ainda feita uma visita guiada, onde a imprensa ficou a conhecer todas as novidades, e que eram bem notórias. Foi-nos apresentado ainda a zona VIP (realçada neste artigo mais adiante), e ainda a visita que o Centro Comunitário da Gafanha do Carmo iria fazer ao festival.

Passada uma hora, toda a imprensa foi recebida, em plena zona do recinto destinado aos concertos, pelo Dr Silvério Regalado (Presidente da Câmara Municipal de Vagos), congratulando a presença de todos, e realçando que a Câmara Municipal tinhasse empenhado de forma a que esta edição, fosse a maior edição de sempre.

Era notória a alegria do Dr Silvério Regalado, por mais um ano, e depois de um enorme trabalho e dedicação por parte de todas as entidades organizadoras, assistir a mais uma edição do maior evento de rock/Metal do País.

A organização do evento…

Este ano, o festival contou com uma total renovação do espaço e um novo conceito para o cartaz. À imagem do que já se passa em outros eventos do género pela Europa fora, foram criados 2 palcos. A organização resolveu dar-lhe nomes, o palco Stairway, e o palco Vagos.

Analisando a organização e planeamento do espaço, a nossa caminhada começou na “nacionalmente” conhecida rampa de acesso ao recinto. Acesso este criticado por muitos, sendo alvo de “ódios e angustias”, quando no final dos concertos, os metaleiros se querem dirigir aos bares da Vila, ou simplesmente deslocarem-se até aos seus carros, para assim regressarem às suas terras. Queremos acreditar que se juntarmos a “famosa” rampa, com a respectiva cerveja que ao final da noite é transportada dentro de cada metaleiro, aquela subida pode ser equiparada aos actos mais bravescos, dos maiores montanhistas e alpinistas do Everest. O público presente enumera este acesso como algo a melhorar na próxima edição.

Este ano, e de forma muito cuidada, foi preparado um pequeno palco, designado por VIP, situado na zona dos concertos. Não que haja pessoas VIP no metal, mas sim foi um palco preparado para receber as pessoas de mobilidade reduzida, com cadeiras de rodas, ou outras situações especiais, para um público também ele especial. Para além disso, era neste palco que os fãs podiam conviver com alguns músicos das bandas presentes. Esta foi uma das grandes novidades desta edição, e que se deve repetir nas próximas edições.

Continuando a passear pelo recinto, temos a zona do campismo, desta vez melhorada e notada por todos, onde pudemos observar todas as zonas, limpas de matos e com muito mais acesso a sombras. Acreditamos que no próximo ano, vai haver ainda mais sombras para todos os “senhores das tshirts pretas”, devido à presença de um grande número de árvores em avançado estado de crescimento.

A zona da restauração e merchadising foi bastante melhorada, onde podíamos encontrar algumas das nossas associações locais a venderem as suas especialidades, no que se referia a comidas rápidas. Como manda a tradição, comemos o famoso panado do Futebol Clube Vaguense, e o pão de leitão vendido pelos nossos Bombeiros de Vagos. Como nas outras edições, o público “exigiu” o porco no espeto, este ano a organização autorizou este manjar, e foi um tal “virar” porco, para abastecer tanto metaleiro, que acedeu a esta delicia…provámos, e realmente estava no ponto.

Queremos ainda realçar esta nova e recente organização, a Amazing events, sendo as caras mais conhecidas, a dos irmãos Luís Salgado e Ivo Salgado, sendo incansáveis. As suas caras e expressões não conseguem esconder a paixão que nutrem pelo Metal, pela Vila de Vagos, mostrando uma ambição desmedida, na construção de um dos maiores eventos de música alternativa da Europa. E quiseram fazer desta edição, a melhor edição de sempre…e conseguiram!

Assistimos ao melhor festival que jamais passou em Vagos, e em Portugal, no que se refere a este género musical. E fazemos uma vénia de respeito à organização, pois estávamos na presença de um cartaz, onde mais de metade das bandas eram Portuguesas. Mais precisamente 67% das bandas eram nacionais. As bandas nacionais têm neste momento, o seu grande palco, para darem aquele salto para a ribalta, onde o metal é rei… e nem precisam de ir além fronteiras, pois esta vila é bem portuguesa.

O que correu mal…

Acho que este festival foi sem sombra de dúvidas o pior por onde passei. Os meus recentes 42 anos de idade já não me deixam usufruir do VMF. Problemas técnicos graves nos joelhos e costas, más escolhas nas lentes da máquina fotográfica, ossos a doer devido à humidade, pele queimada devido ao sol…basicamente entrei na idade do metaleiro de cobertor nas costas. Os problemas que temos a apontar, e os mais graves são mesmo estes, e que apenas se curam e resolvem, com a edição de 2019. Os restantes problemas, atribuídos à organização, são fruto da enorme ambição que corre nas veias dos irmãos Salgado, e do nosso Presidente de Câmara Dr Silvério Regalado. O risco contempla erros. Erros esses que sabemos terem sido registados e interiorizados, e que no próximo ano não acontecerão. O som que se desliga, o gerador que não aguenta o entusiasmo das bandas, as experiências secretas das próprias bandas ao testarem novos equipamentos, à incompetência das companhias aéreas que perdem os instrumentos dos músicos e que obrigam a organização a dar 40 voltas ao mundo para arranjar novos instrumentos… enfim, esta organização é de Aço. Resumindo, gostámos de ter participado nesta pequena “fatia” da história que se está a construir, do Metal em Portugal.

O que correu bem…

Quase tudo… até porco no espeto havia! O espaço estava renovado, agora com 2 palcos. E desde já houve a preocupação de não ferir susceptibilidades, e não houve distinção entre eles. Ambos os palcos apresentavam basicamente as mesmas características. Poucas são as diferenças que podem ser apontadas aos palcos (Stairway, e Vagos). Não foi feita qualquer distinção entre bandas de primeira e bandas de segunda, ao contrário do que se vê noutros festivais rotulados como os maiores, os mais televisionados e patrocinados, do País. No metal todas as bandas assumem igual importância, até porque o que rege a adesão a determinada banda, é muitas das vezes o estilo de metal que executam.

Realçamos ainda o muito público que passou pela Quinta do Ega, edição esta, que foi recheada de crianças e da sua natural alegria, acompanhando os seus pais. Sentimos que o Metal jamais irá morrer.

As bandas presentes este ano estiveram ao mais alto nível. Foram 43 bandas que trouxeram os mais variados estilos de metal. E neste aspecto, a organização mais uma vez, está de parabéns, pelo cuidado na selecção de bandas, na construção do cartaz, abraçando assim vários estilos de metal. É difícil agradar a “Gregos e Troianos”, mas é algo que esta ou qualquer outra entidade organizativa de eventos, por muito que tente, nunca conseguirá atingir.

Destacamos ainda a rápida correção e resolução, dos problemas e desafios que iam ocorrendo ao longos dos dias. Nós, imprensa, vivemos de perto toda a azafama do staff, e todos se empenharam na resolução dos percalços diários, e no aumento do conforto ao metaleiro.

E a presença das televisões nacionais fez-se notar…

Este ano, estiveram presentes no recinto, os “velhinhos” mais famosos de Portugal, a convite da organização. O Centro Comunitário da Gafanha do Carmo levou os idosos a conhecerem uma nova realidade, e pelos vistos ficaram fãs. Registaram-se momentos muito carinhosos, e ternurentos entre os metaleiros com aspecto de maus, e aqueles “velhinhos” vestidos a rigor, que quiseram provar um pouco daquilo que move a juventude de hoje em dia. Realçamos o aspecto negativo da atitude dos media nacionais, que basicamente deram importância à presença apenas dos Centro Comunitário da Gafanha do Carmo, e esqueceram-se da dimensão que este festival já atingiu nacionalmente. Mais uma vez se prova que neste país nada se promove se não houver um grande patrocinio por detrás. As Tvs que se autointitulam como de interesse público, mostraram mais uma vez que são movidos se um patrocinador pagar o seu serviço. São estas palavras algo causticas, no entanto sabemos nós que estamos na presença do maior evento de música alternativa do país, e que não foi sequer realçado nas emissões transmitidas pelas Tvs. Acreditamos que o Vagos Metal Fest, um dia será notícia por mérito próprio.

Por último, todo o público presente, bem como a imprensa, realçou a nova equipa de segurança presente no recinto, em especial todos os assistentes e coordenadores responsáveis pelo bem estar do público, que foram de uma delicadeza e simpatia acima de média. Foram sujeitos a verdadeiros exercícios de exaustão e bastante duros, tendo sempre sido distinguidos com nota máxima. Foram sempre apoiados pelos Bombeiros Voluntários de Vagos, e segundo informações após término do festival, não houve situações a relatar, sendo que ao longo dos 4 dias, houve apenas pequenos arranhões, uns pés e braços machucados, e algumas “bebedeiras” daquele fãs que se entusiasmaram com o sabor da cevada comercializada.

A conferência de imprensa não oficial, de Luís Salgado (Amazing Events)…

“Foi um ano diferente dos outros, em todos os sentidos, nos bons e nos maus. Vamos depois emitir um comunicado oficial.”

Segundo Luís Salgado, “os problemas tecnicos que levaram a que a luz fosse abaixo algumas vezes nos dois primeiros dias de festival, deve-se ao facto de nunca em Vagos ter havido 2 palcos. Foi a primeira vez. E aprendemos. Ao terceiro dia foi corrigido o problema, poderia ter sido corrigido ao segundo dia, mas são coisas que não são faceis de resolver no imediato. Temos de perceber de onde é que vem, e o que se pode fazer para melhorar. Não precisámos de um ano para corrigir este problema…melhorámos logo ao terceiro dia… Entretanto, chegando ao final do quarto dia, acho que foi um grande festival” “Sinceramente este ano, não foi só um grande festival de metal, mas de rock também…porque hoje em dia à poucos festivais de rock em Portugal. Foi um festival de Rock a 100%, que teve as suas falhas, porque estamos ainda a aprender também, e porque arriscámos, e o arriscar também implica certas condições, para o bem e para o mal…”

No final desta conversa não oficial com os orgãos de comunicação, nacionais e internacionais, Luís Salgado da empresa Amazing Events, abriu o seu coração e mostrou tudo aquilo que quer para o Vagos Metal Fest, apelando á união de esforços de toda a imprensa, de forma a que ajudem a tornar o Vagos Metal Fest, num dos maiores festivais em Portugal, e um dos mais importantes da Europa. Para além do esforço que a Câmara Municipal de Vagos, representada pelo Dr Silvério Regalado, e que tem sido incansável e a principal responsável pelo crescimento do VMF, Luís Salgado atribui à imprensa nacional, e internacional presente nesta edição, um dos pilares importantes na divulgação, e crescimento de um dos principais eventos deste género quer em Portugal, quer além fronteiras. Devido a este facto, os orgãos de imprensa nacional, e alguns elementos da imprensa internacional, juntaram esforços e neste momento comunicam diariamente na rede social Facebook, com a presença das entidades organizadoras, num grupo privado de discussão, designado por “Fórum Vagos Metal Fest”, lançando diariamente ideias, e opiniões concretas, que visam ajudar a organização no planeamento das próximas edições.

 As opiniões do metaleiro…

José Barbosa (Vila Nova de Gaia) – “em termos de cartaz, acho que já houve cartazes mais fortes. Acho que estão a fazer um esforço para tentar melhorar as condições do recinto. Melhoraram ao colocar 2 palcos, no entanto em termos de horários, pois os concertos acabam um pouco tarde. É uma questão a rever pela organização. A nível de infraestruturas e condições do espaço, o Vagos tem crescido de ano para ano. Os espaços de acampamento está tudo limpinho, e já tem muito mais espaço para acampar. Só tenho coisas boas a apontar ao festival. Se estivesse na organização do festival, escolheria bandas maiores que iam criar maior impacto no público. Falta realmente opções na alimentação Vegetariana, pois de ano para ano esta opção fica sempre de parte… Já venho ao festival à 8 anos, e vou continuar a vir.

André (Guimarães) – “Gwidion (banda nacional presente nesta edição), deu um show extraordinário…deram eles e nós (risos)… vocês não ouviram o “Oh Zé, Oh Zé,..-Oh Zé trás vinho! “ (em tons do Avé Maria) (risos). Nós os 3 conhecemo-nos num barzinho minusculo em Paços de Ferreira, a partir daí temos sempre vindo ao Vagos Metal Fest sempre em conjunto e com grande amizade. O Vagos se não for pelo cartaz, é por esta amizade e convívio. Vagos para nós será para sempre. Estamos no nosso meio. De ano para ano conhecemos pessoas novas. Um cena dos metaleiros que gostamos, é que a tenda dos outros é local sagrado, e deixámos sempre coisas de valor nas tendas e nunca houve problemas. Nós amamos Vagos!”

Luís (Guimarães) – “do ano passado para este ano, houve uma melhoria muito grande em termos de espaço para campismo. A limpeza do mato deixou-nos aproveitar melhor os espaços, e podemos acampar com muita qualidade. Nos anos anteriores, foram verdadeiras terapias para meter as tendas, que quase desistiamos… o terreno era muito rijo (risos) …. O cartaz tem sido muito bom. Em comparação ao ano passado, para alguns é mais fraco, mas isto vai dos gostos. O ano passado foi incrivel para nós, mas era mais o nosso gosto. Mas este ano, mesmo assim, tem bandas que valeram muito bem a pena ter vindo cá mais um ano. “Que se Fo**** a porcaria dos problemas técnicos…nós queremos é ouvir música”

Jorge (Guimarães) – “coisa extraordinária neste festival, é que à noite deixava os sacos do lixo prontos para serem levados para os caixotes, e no primeiro dia que acordei tinhamos tudo arrumado. Não havia um único saco do lixo em nosso redor. A organização preparou tudo para manter sempre os espaços limpos e asseados… não há festival igual em Portugal…”

Pedro Rodrigues (Fundão) – “ja vim a ediçoes anteriores, e melhorou no aspecto da restauração, acrescentaram 1 dia ao festival, na recolha de lixo. Vim por Cradle of Filth, Kamelot, e todos estes concertos supreenderam-me pela positiva… deram concertos inesquecíveis. Nas próximas edições, inclusive já deixei uma mensagem à organização, pois vou a outros festivais no estrangeiro, e há uma coisa que nos dia de hoje acho essencial, que é haver tendas com powerbanks (carregadores de baterias). Uma pessoa deixava 5 euros de sinal, trás um powerbank, vai trocando à medida que a bateria vai ficando sem carga, e no final do festival se a pessoa quer guardar a powerbank fica com ela, ou então devolve e é restituido dos 5 euros. Tive isto no Download Fest (Inglaterra). No entanto não podemos pedir muito a uma organização com pouco tempo a realizar o festival. Gostava de ver Saxon em Vagos, Carcass,

Nuno Silva (Lisboa) – “ Moonspell e Cradle of filth foi o que me vendeu o festival… O Vagos Metal Fest nunca teria o mesmo sucesso em Lisboa. Vagos é aqui…ponto final parágrafo… Gostaria de ver em Vagos a banda Ghost.