CHELSEA WOLFE, a música sombria de uma sereia (reportagem Alemanha)

Chelsea Joy Wolfe é uma compositora Americana, e dá a voz às suas letras sombrias. Compõe desde criança, devido ao facto de ter nascido num seio familiar onde a música era a linguagem diária. Estamos perante uma artista bastante aclamada no Underground, e a sua música “esquizofrénica” é influenciada pelo metal, neofolk e electrónica.

Na sua juventude lutou contra uma doença, a paralisia do sono, sendo mesmo objecto de estudo em alguns hospitais nos EUA. Influenciada por esse passado mais tenebroso da sua vida, lançou dois álbuns onde vivia musicalmente essa fase da sua vida (álbuns Abyss e Hiss Spun).

Chelsea Wolfe passou grande parte da sua juventude com a avó, que lhe ensinou aromaterapia, Reiki e “outros reinos”… concluímos que perante esta “mistura” de influências, quer musicais, quer sociais, estávamos na presença de uma artista que podia trazer algo novo ao underground.

Perante tal biografia e história de vida, a Guitarscream, mais concretamente Hélder Martins, teve imensa curiosidade em assistir ao seu concerto a 30 de Julho, na FeierWerk (Munique-Alemanha).

O concerto de Chelsea Wolfe teve como convidados a banda belga BRUTUS, e a sua música é mesmo “Brutus”. No entanto, sobre a banda belga, faremos outro artigo só dedicado à mesma, pois seria de uma enorme injustiça não dar aos nossos leitores uma imagem mais próxima da realidade, pois estamos também perante uma grande banda.

A sala na Feierwerk estava cheia. Não se conseguia circular com tanto público. Chelsea Wolfe tem a preferência do metaleiro alemão mais requintado. A artista é vista como a sereia da música underground, onde as suas letras “sombrias, psicadélicas e esquizofrénicas”, e as suas poses e olhares gélidos, conquistam os amantes do oculto, do black metal, do folk escandinavo, e de outros movimentos musicais mais alternativos.

O seu concerto e em especial as músicas apresentadas levaram a um verdadeiro exercício de psicologia, onde a introspecção foi a ideia de ordem. Compositora, e instrumentista de elevada qualidade, conquistou o público presente, levando à sensação, aquando do término do concerto, que soube a pouco… sentia-se no ar que o público queria mais…não queriam acordar do som hipnótico que a artista Chelsea Wolfe lançava do seu habitat natural. É uma artista que faz do palco o seu espaço natural, onde pode “exorcizar” o seu passado, e fazer a sua terapia de regressão, ao som da música que cria… Chelsea acabou por ter de fazer um encore, dando aquele último sorriso de satisfação ao público presente. Tendo ainda premiado o público com um “passeio” entre os presentes. Chelsea Wolfe é uma artista enorme, com uma presença de palco brutal. Assim como toda a banda que a acompanha.

Resumindo, é uma artista que gostávamos de ver em Portugal, com esta tour. Temos público e espaços capazes de receber Chelsea Wolfe. Seria uma artista que iria apaixonar o público português, com esta sua nova série de concertos.

Em relação ao som da sala Hansa39 na FeierWerk, estava mais uma vez magnífico, tendo a sala pecado pelo facto de não poder levar mais público, pois acreditamos que houvesse muito mais fãs a querer assistir a este magnífico concerto.