GS entrevista INFRAKTOR

No passado dia 24 de Julho, a GS deslocou-se ao ensaio da banda nortenha INFRAKTOR com o objectivo de conhecer este novo projeto, e os seus músicos. Esta é uma banda prestes a lançar o seu primeiro álbum já gravado desde Outubro do passado ano e que após alguns percalços e uma mudança forçada de estúdio, irá agora brevemente ver a luz do dia. Dotados de uma persistência inabalável conseguiram ultrapassar os obstáculos que foram encontrando na sua carreira, passando a trabalhar com o produtor Miguel Tereso no DEMIGOD RECORDINGS STUDIO onde ao que apuramos está tudo muito bem encaminhado.

Num ambiente descontraído falamos de tudo um pouco, desde o equipamento que usam às suas influências enquanto músicos, e depois de assistirmos a todo o ensaio, concluímos que estamos perante uma banda com enorme potencial no espectro do thrash|death metal.

BIOGRAFIA

Os INFRAKTOR nasceram em Março de 2013 pelas mãos do guitarrista Carlos Almeida (ex-Skeptik / ex-Revolution Within) e o vocalista Hugo Silva (ex-Headless). Em Setembro de 2013 Francisco Martins (ex-Pitch Black) aceita tomar as rédeas da bateria surgindo assim o núcleo duro da banda. Após várias alterações na sua formação, em Setembro de 2015 junta-se a baixista Susana Brochado (ex-Hacksaw / ex-Final Mercy) e o guitarrista Ricardo Martins (ex-Under Fetid Corpses / ex-Pitch Black). Em Maio de 2017 Miguel Pinto (ex-Echidna / ex-Gates of Hell) vem substituir Susana no baixo e é com esta formação que se finalizam os temas do álbum de estreia a ser lançado em 2017 e que se encontra agora em fase de mistura nas mãos do produtor Miguel Tereso.

REPORTAGEM

Quando questionado acerca do álbum de estreia, Carlos Almeida (Katito) passa a explicar – “Bem…(risos)… “Temos tido um percurso algo atribulado para conseguir colocar o disco cá fora e por mais que tenhamos planeado tudo devidamente, demoramos 8 meses a tomar as decisões corretas em relação ao rumo que queríamos realmente dar à sonoridade do nosso primeiro disco, até que se proporcionou trabalharmos com o Miguel Tereso (Primal Attack) do Demigod Recordings Studio e posso afirmar que não poderíamos estar mais satisfeitos com o resultado”. Os Infraktor concluiram as gravações em Outubro do ano anterior tendo posteriormente mudado de estúdio e regravado guitarras ritmo e baixo no Demigod Recordings Studio em Junho deste ano, pelo que tentamos perceber como fluíram as gravações…“Felizmente conseguimos gravar tudo em tempo record e dentro dos prazos estipulados tendo em conta a disponibilidade e gestão da vida pessoal de cada um. Ainda que contássemos ter o disco nas mãos há mais tempo, aproveitamos a oportunidade para repensar alguns detalhes e resolvemos regravar as guitarras ritmo e o baixo que está agora a cargo do Miguel Pinto.” …o disco está neste momento em fase de mistura e contamos ter o master final ainda durante o mês de Agosto. Vamos procurar editora para nos ajudar a colocar o disco na rua e promove-lo o melhor possível na estrada.” Viemos para ficar!… (risos)…” Carlos Almeida (Katito) foi o responsável pela composição dos temas, nunca negando a grande influência e cunho pessoal que todos os músicos deram e dão, aos temas já gravados. A relação entre o Carlos e o vocalista Hugo Silva, está também interligada na criação do conteúdo lírico dos temas, até porque é Hugo que arrasta Katito para a criação dos Infraktor.

Todas as bandas e músicos, têm as suas influências e a GS quis conhecer as mesmas:

Francisco Martins (Baterista) – John Bonham (Led Zeppelin) é uma das suas grandes influências afirmando que “esse gajo tira-me do sério…” “…e depois há muitos, como por exemplo o Mike Portnoy dos Dream Theater…”. Afirma que “sofro de iliteracia musical, e sou um autodidacta que toca bateria…”. Durante o ensaio no qual a GS esteve presente, Francisco Martins brindou-nos com uma demonstração de execução técnica na bateria que não nos deixou indiferentes. Quisemos saber qual o seu segredo “…acima de tudo é importante vibrar realmente com o que estamos a fazer atrás do kit, isso vai naturalmente fazer-se sentir na música e vai-se refletir na reação do público…” ”…acredito que é possível fazer muito com pouco, e ainda que um bom kit ajude imenso, o que é preciso é acertar-lhe de forma a que o instrumento se faça ouvir”.

Carlos Almeida (Guitarrista) – afirmou que começou aos 10 anos no mundo da guitarra inspirado por bandas de metal às quais teve acesso desde tenra idade “…devia ter uns 7 anos quando os meus irmãos fizeram chegar a casa cassetes de bandas como Obituary, Sepultura, Megadeth, Iron Maiden, Motorhead, ACDC ou até Queen…” “…Com cerca de 10 anos tive a oportunidade de assistir aos ensaios dos Defaulter, uma banda de Death Metal de um grupo de amigos da minha irmã e foi aí que realmente despertei para a guitarra, altura em que também comecei a ouvir bandas como Slayer, Carcass, Morbid Angel entre tantas outras…” Aos 16 anos tem aulas de guitarra com Sérgio Vilas (Ex-Pitch Black), e deixa-se influenciar por diferentes guitarristas com os quais se cruzou, inclusive um familiar que tocava guitarra numa banda de Death Metal. Tem estado recentemente, a ser acompanhado por Jorge Loura (ex-ZEN / SOUQ). Referiu ainda que as suas influências passam por bandas essencialmente do panorama Thrash | Death Metal e absorve conhecimento de músicos com quem se vai cruzando, e com eles troca ideias. Sente-se influenciado quer por grandes nomes da música internacional, quer por várias bandas que admira no panorama nacional. Além de aficionado por música, apresenta-se como um defensor da amizade entre os músicos dos INFRAKTOR.

Ricardo Martins (Guitarrista) – teve aulas de guitarra clássica durante 3/4 anos, e ao visitar uma casa de música em Aveiro, ficou apaixonado por uma guitarra Jackson, sendo aquela que ele queria… Andou a trabalhar para o seu avô, e ele deu-lhe 90 contos. Passado um ano teve a guitarra dos seus sonhos. Passou por várias bandas, entre as quais os Pitch Black. Identifica-se com o Thrash Metal… sendo SLAYER, ANTHRAX, e TESTAMENT as suas bandas favoritas. É um apreciador do Thrash Metal americano. Afirma que vai aprendendo truques com guitarristas de bandas como as anteriormente referidas, e depois replica à sua maneira “…normalmente pior… (risos)”.

Hugo Silva (Vocalista) – cresceu a ouvir Grunge, mais tarde na escola começaram por mostrar-lhe PANTERA e SEPULTURA e “…fiquei agarradinho naquilo…”  Com 18 anos, foi convidado para ser vocalista de uma banda que ensaiava numa garagem, perto de sua casa, e sem saber cantar, arriscou… “…e lá conseguimos fazer qualquer coisinha. Gravámos uma maquete, depois demos 2 concertos…”. Os restantes elementos da banda afirmam que no passado, era o único músico que “não sabia fazer nada”, mas empenhou-se, frequentou aulas de canto, e hoje apresenta um performance digna de fazer inveja a muitos vocalista de renome. Tem hoje a admiração de todos os elementos da banda.

Miguel (Baixista) – desenvolveu desde cedo o seu gosto pela sonoridade do baixo, oferecendo a sua técnica ao instrumento e afirma que “…sempre houve uma procura maior que a oferta  no que toca a baixistas no panorama nacional do metal, e acredito que um baixo bem tocado faz toda a diferença na sonoridade final de uma banda…”. Assume que os seus maiores mentores foram os músicos com os quais tocou nas bandas por onde passou, e sente-se grato pelo contributo que deram para se tornar no baixista que é hoje. Miguel apresenta-se como um músico determinado, de visão muito simples e direta na maneira como se vê enquanto baixista, e como vê a sua banda “…estou ansioso por dar o meu contributo na composição de novos temas…”

Todos os músicos da banda assumem que as influências de hoje, e a sua aprendizagem como instrumentistas, se baseia nas novas tecnologias como o youtube. Aprender e desenvolver música está hoje mais facilitado, com os grandes mestres das diferentes áreas a exporem aqueles segredos e técnicas, que os ajudam a compor os seus temas.

Questionámos a banda de qual seria o seu objectivo, após o lançamento do primeiro álbum. Miguel (Baixista) começa por referir que inicialmente é lançar e promover o álbum com uma tour. Katito (Guitarrista) mostra-se mais ambicioso, e diz que “…quero chegar a palcos maiores e fazer tremer o PA hehehe…”.

Ricardo (Guitarrista), mais cauteloso, afirma que daqui a um ano …“a banda tem de ter 7 a 8 músicas feitas e bem tocadas…”, e já alguns concertos dados, com o principal objectivo de estarem já a preparar a gravação de um segundo álbum… Ricardo tem a consciência que “…para atingir palcos maiores, têm de ter mais do que 1 álbum gravado”. Acredita que não exista grande lucro com a venda dos CDs, mas são necessários para atingir outros vôos no que diz respeito à promoção da banda. Apresenta ainda a ideia de que o futuro das bandas não passará mais por editar CDs em formato físico, mas sim colocar músicas, à disposição dos fãs e do público em geral, na internet. Acha mais viável um fã pagar 1€ por uma música em formato digital, dada a difusão de equipamentos como smartphones que permitem armazenar uma maior quantidade de informação, e tendo em conta os custos de lançamentos dos CDs nas superfícies comerciais.

Os INFRAKTOR esperam encontrar uma editora que seja uma “parceira de negócios”, pois acham que é importante, para traçarem o seu caminho na direção certa, pertencerem a um catálogo de bandas com as quais se identifiquem. Ter uma editora no futuro, é visto pela banda como sendo um “selo de qualidade”. Afirmam ainda que é muito importante cativar o público e manterem-se fiéis à sua própria sonoridade. Não pretendem ser os melhores músicos do mundo, mas querem fazer com que a música que compõem chegue a um maior número de pessoas possível e as faça vibrar tanto como a eles mesmos, deixando a sua pegada por onde passam.

Ser músico, e querer estar em cima de um palco, implica investir em instrumentos, amplificadores, efeitos e outros acessórios. Ao serem questionados acerca dos valores já investidos na música que tocam, gerou-se a risada na sala. Os valores oscilam, mas todos afirmaram que já foi muito dinheiro.

Ricardo (Guitarrista) já passou pelas diferentes tecnologias na guitarra, desde as válvulas, ao conceito mais evoluído da electrónica. Hoje prefere os componentes mais electrónicos e mais simplistas, de maneira a facilitar a sua estadia em palco e o seu transporte.

RIG:

  • Kemper Profiler Power Rack
  • Furman PL – 8 CE
  • Santosom Cases
  • Jackson RRMG Pro Series
  • D’dario NYXL 12-63
  • Peavey 6505 Plus *
  • G Lab GSC-2 System Controller *
  • TC Electronic Sentry Noise Gate *
  • Dunlop Crybaby From Hell*
  • TC Electronic Polytune 2 Tuner *
  • Boss DD-6 Digital Delay *

*Ensaios apenas.

Miguel (Baixista) não considera o Gear importante, pois conforme afirma “…antes de haver tecnologia, já se fazia música…”. Considera a tecnologia importante para os músicos mais “refinados”.

RIG:

  • Ashdown MAG 300 EVO Ii
  • LTD B-55
  • D’dario Pro Steels

Katito (Guitarrista) apresenta um gosto pelo requinte do som, investindo em material capaz de o satisfazer em termos sonoros, e em termos de resultado final no que se refere ao som que quer transmitir…

RIG:

  • EVH 5150 III Stealth
  • Furman PL – 8 CE
  • Santosom Cases
  • Jackson RRMG Pro Series
  • D’dario NYXL 12-60
  • G Lab GSC-2 System Controller
  • TC Electronic Polytune 2 Tuner
  • Dunlop Crybaby From Hell
  • Digitech Whammy DT
  • Boss NS2 Noise Supressor
  • MXR Berzerker Overdrive
  • Line 6 Relay G-50 Wireless System

Francisco (Baterista) considera que “do nada se faz muito” e reaproveita pratos que parte alterando-lhes a sonoridade.  Todos concordam que os instrumentos mais caros, não fazem melhores músicos, mas é preciso ter cuidado com o que se leva para cima do palco, ou que se usa em gravações. Afirmam ainda que é preciso coerência no investimento. Hugo (vocalista) apenas refere a importância de uma boa monição em palco, e nos ensaios.

Após muitos temas que vieram à discussão, a GS tirou as suas próprias conclusões acerca deste projeto. Estamos perante músicos que sabem o que querem trazer ao público do metal. Sabem de onde vêm e para onde querem ir, assentando a sua música no background que transportam como ex-músicos de outras bandas. São músicos com gostos variados, e personalidades distintas, mas que musicalmente se complementam. A GS acredita que brevemente, os INFRAKTOR irão marcar presença, e de qualidade, em festivais nacionais. Conscientes do trabalho que ainda têm pela frente, as suas personalidades não os deixarão desistir, até que porque cultivam a amizade entre os elementos da banda.

A GS aguarda com expectativa o álbum dos INFRAKTOR.

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