Crónica do Melga d’Aço – VAGOS METAL FEST 2017 – dia 2

O segundo dia do festival começou com os germânicos Implore. O público cansado do primeiro dia e o calor abrasador que se sentia tornou o início da actuação com poucos auditores. Mas rapidamente os ouvintes foram aderindo pouco a pouco ao death metal praticado por este trio criando durante a actuação as primeiras circle pits do dia. A nível técnico o som exterior esteve bem melhor que no início do primeiro dia.

Vindo de Cardif, seguiram-se os Brutality Will Prevail. A energia contagiante do vocalista Louis Gauthier e o som punk hardcore produzido pela banda tornou o público presente ainda mais agressivo sacando circle pits e crowd surfing durante toda a actuação. No final do excelente desempenho dos galeses, Louis Gauthier ainda presenteou os ouvintes com uma sessão de crowd surfing.

O Vagos Metal Fest prosseguiu com os portugueses, Hills Have Eyes. O metalcore setubalense animou e de que maneira o público presente. Os ouvintes mostraram algum carinho pela banda participando de forma eufórica aos cânticos agressivos e ao mesmo tempo melódicos do vocalista, Fábio Batista. Foi uma óptima actuação dos experientes Hills Have Eyes, deixando os metaleiros portugueses orgulhosos do metal nacional.

Chegava a vez dos veteranos Metal Church. É sempre bom ouvir uma boa thrashada e os Metal Church são reis nesse assunto. O vocalista Mike Howe, apesar dos seus 52 anos esteve na sua melhor forma que fez com o publico mais respeitável recuasse 30 anos. A actuação foi intensa, foi reviver e revisitar alguns clássicos dos Metal Church. Os riffs sacados por Kurdt Vanderhoof e Rick Van Zandt foram sem dúvida o auge desta actuação. A idade não passa por estes senhores e as plásticas que apresentam não interferem nos seus desempenhos.

Depois do excelente concerto protagonizado pelos norte americanos Metal Church chegava a vez dos irlandeses, Primordial, banda com 30 anos de carreira. A forma de comunicar e de incentivar o público de Alan Averill foi o segredo para o sucesso desta actuação. O vasto público que se encontrava no recinto sentiu a energia e o power que transportavam para o exterior participando activamente numa actuação que roçou a perfeição.

O início da noite fresca surgiu com os finlandeses Korpiklaani. Para muitos foi a surpresa da noite, com uma sonoridade folk metal que colocou os ouvintes em danças folclóricas e uma sessão de crowd surfing que não tinha fim. Os solos de acordeão e violino pareciam guitarras ligadas a pedaleiras modificadoras de som. Foi uma actuação animada, bem tocada e com um som exterior perfeito.

Chegou o momento mais desejado do dia e do festival. Os Soulfly liderada pelo mítico Max Cavalera entra em cena. Foi a maior enchente de todo o evento. Estava criado o ambiente ideal para assistir à tão esperada actuação do brasileiro. Êxitos atrás de êxitos fizeram as delícias dos fãs, sacando circle pits e wall of death durante toda a actuação. Na parte final e citando MaxRefuse, Resist também faz parte dos irmãos Cavalera”, e foi com este sucesso dos Sepultura que colocou os auditores a atingirem o seu ponto máximo de satisfação no festival. Apesar da dificuldade de Max na vocalização e dos seus lentos movimentos fazendo lembrar Ozzy Osbourne, a actuação foi um recuar de 20 anos. O guitarrista Marc Rizzo e o baterista, Zyon Cavalera, filho de Max, são os que transportam a banda ao mais alto nível. Aquele filho de Max Cavalera é um senhor na bateria apesar da sua tenra idade. E Marc continua a sacar solos como ninguém. Espectáculo! Mesmo com as dificuldades que Max Cavalera apresentou durante a actuação, será sempre uma figura a recordar no mundo do metal. Obrigado Max, obrigado Soulfly, obrigado organização por este momento inesquecível.

Os brasileiros Soulfly deixaram um herança difícil de superar e coube ao power metal dos germânicos Powerwolf tentar obter a mesma enchente que no concerto anterior. O público presente participou activamente na actuação dos Powerwolf cantando euforicamente os refrões melódicos que os germânicos apresentam nas suas melodias. Foi a continuação de uma excelente noite de bom metal.

Entram em palco os polacos Batushka para fechar o segundo dia do VMF. O cansaço apoderava-se do público e como se não bastasse o concerto teve 40 minutos atrasados para além da hora prevista. O cenário estava montado e a actuação parecia uma missa a agradecer o fantástico Vagos Metal Fest 2017 que tinha sido até ao momento. Os ouvintes resistentes certamente ficaram agradados com o missal.

Concluindo, este segundo dia do Vagos Metal Fest foi sem dúvida o mais completo dos três dias com excelentes actuações combinando bandas de old school com bandas mais recentes. Tecnicamente o som estava bem melhor que no primeiro dia. A GuitarScream destaca neste segundo dia as actuações de Metal Church, Korpiklaani, Soulfly e Powerwolf.

Texto: Nuno Parracho

Fotos: Luís Parracho e Hélder Martins

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