Crónica do Melga d’Aço – VAGOS METAL FEST 2017 – dia 1

Chegamos ao recinto por volta das 15h30m…estava calor, e muitos metaleiros ainda a instalarem-se no campismo. No entanto a ansiedade de todos era evidente. Estávamos todos à espera que a “festa” começasse…e às 16h20m iniciou-se o maior festival nacional de metal.

Os portugueses, oriundos de Coimbra, Tales For The Unspoken, abriram as hostes da segunda edição do Vagos Metal Fest. A tarefa seria difícil por ser uma sexta feira, e o início do festival, mas a experiência em palco de Marco Fresco e companhia originou um começo fantástico e previa-se um festival a recordar por muitos longos anos. O metalcore dos Tales For The Unspoken aqueceu e de que forma o público presente apesar das dificuldades que tiveram em equilibrar o som exterior.

O aquecimento estava feito. Seguiram-se os desconhecidos, And Then She Came, banda germânica formada em 2016 que contam com 2 álbuns gravados em estúdio. Tanto álbum em tão poucos anos! O riff inicial da guitarra prometia ser a continuação do aquecimento do público presente para as bandas que se seguiriam. O som caracterizado pela banda germânica, metal com algumas “nuances” electrónicas resfriou um pouco os auditores. E estavam desfeitas as dúvidas, o início que prometia tornou-se numa actuação simples, calma, permitindo aos metaleiros apreciarem um concerto de forma tranquila, mãos nos bolsos e afinar a audição através dos gritos praticados pela vocalista Ji – In Cho.

Neste momento o público precisava novamente de um abanão. Os Revolution Within foram os próximos preparadores físicos para novo aquecimento das hostes. E que aquecimento! A banda de Santa Maria da Feira entrou com um groove e uma energia contagiante. Estava encontrado a receita para a continuação de um festival inesquecível. A liderança do experiente vocalista, Rui Alves, gerou uma interacção público / banda fantástica originando a primeira wall of death do festival. Durante o concerto, Rui Alves, deixou uma mensagem para todos os metaleiros, e de forma clara e concisa apelou o apoio às bandas de metal nacionais e que Vagos se torne um ícone nacional e internacional dos festivais de metal. Pegando da palavra mais repetida por Rui Alves “Raça”, foi um concerto do c@r@*#o. Exigia-se um som mais perceptível para esta extraordinária actuação.

Público quente, gargantas refrescadas prontos para levantar mais pó. Era a vez de, Gama Bomb, subir ao palco. Os músicos entram e por último chega Philly Byrne, com uma vestimenta que ofuscava o público presente. A banda vinda da Irlanda formada em 2002 conseguiu uma apatia com o público presente. O concerto foi um misto de thrash metal com um pouco de stand up comedy. O ponto mais alto deste concerto foi a tão esperada música “Beverly Hills Robocop”. Foi uma actuação simpática e engraçada dos irlandeses, Gama Bomb.

O primeiro momento mais esperado da noite surge com a actuação dos italianos Rhapsody. A banda comemora os 20 anos do álbum “Legendary Tales” e conta com a presença de Fabio Lione, Luca Turilli, Dominique Leurquin, Patrice Guers e Alex Holzwarth. A banda italiana tocou na integra as 10 faixas que compõem este magnifico trabalho. O guitarrista, Luca Turilli, esteve igual a si mesmo, debitou notas musicais a uma velocidade estonteante e Fabio Lione continua um senhor da voz. Apesar de alguns contra-tempos a nível de som exterior a actuação foi limpa e harmoniosa. De realçar o esforço de Fabio Lione em comunicar com o vasto público em português. Sem espinhas!

Seguiram-se os suecos Arch Enemy, liderada pela vocalista Alissa White-Gluz. Com a saída da emblemática Angela Gossow a expectativa deste concerto era enorme. A actuação começou com o single “The World Is Yours”, música presente neste último trabalho “Will To Power”que tem data prevista de lançamento no dia 8 de Setembro. Foi um ínicio contagiante e energético perante o público presente. Êxitos como, “Nemesis”, “War Eternal”, “We Will Rise”, “You will Know My Name”, entre outras, deixaram o público esgotado e ao mesmo tempo satisfeito com a actuação dos suecos. De realçar os guitarristas Michael Amott e Jeff Loomis pela excelente execução na guitarra e pelos riffs bem executados ao longo da actuação. Nada que os fãs de Arch Enemy não estejam à espera! A vocalista Alissa White-Gluz mostrou alguma frieza na interação com público, mas esteve no seu bom nível fazendo esquecer Angela Gossow. A pergunta que fica no ar é: Angela Gossow ou Alissa White-Gluz?

Depois do fantástico concerto de Arch Enemy surge os finlandeses Wintersun. A banda fez a sua primeira aparição em terras lusas. O death metal bem executado pelos Wintersun tornou a noite ainda mais inesquecível pelo excelente concerto que os finlandeses protagonizaram. A actuação teve a particularidade de o público ouvir um pouco da discografia da banda, não só deste último trabalho “The Forest Seasons”, mas também de “Time I” e “Wintersun”. Foi um desempenho exemplar apesar de alguns problemas técnicos.

A noite já ia longa mas o público não arredava pé. Sobe ao palco os veteranos Therion. Foi agradável ouvir um som inovador, imaginativo que mistura metal com três óptimas vozes. Foi uma actuação harmoniosa, melódica que certamente agradou os fãs.

A fechar este primeiro dia de festival a actuação pertenceu aos portugueses Grunt. Foi o fecho ideal para a hora que marcava. Não é fácil gostar do som transmitido pelos portuenses, Grunt, mas para quem gosta de grindcore ou porncore (não sei se existe), deve ser o melhor que alguma vez se fez em Portugal. No entanto, algum público já esgotado das actuações anteriores abandonava lentamente o recinto e eis que surge a palavra chave “Querem ver mamas?”. Foi quando algumas pessoas que estavam a abandonar o concerto regressavam com algum sorriso nos lábios. Os concertos dos Grunt têm sempre algo inesperado, e desta vez a encenação passou por uma escrava sexual que se encontrava em cima do palco.

Concluindo, o primeiro dia do festival activou as hormonas dos metaleiros presentes para os dias seguintes. No início do festival houve problemas técnicos a nível de som exterior que foi melhorando ao longo do dia. Houve excelentes actuações e a GuitarScream destaca neste primeiro dia, Revolution Within, Raphsody, Arch Enemy e Wintersun.

Texto: Nuno Parracho

Fotos: Luís Parracho e Hélder Martins

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